E ninguém mais fala da Máfia dos Ingressos da Copa do Mundo…

por BLOG DO CURIOSO em out 15, 2014

29/03/2015

http://guiadoscuriosos.com.br/blog/2014/10/15/e-ninguem-mais-fala-da-mafia-dos-ingressos-da-copa-do-mundo/

 

“Suspeito de participar da máfia de ingressos da Copa, Fofana é solto no Rio”. A última notícia sobre o grupo de cambistas que agiu livremente na Copa do Mundo de 2014 foi divulgada há exatos dois meses, em 15 de agosto. O cambista franco-argelino Lamine Fofana amargou 45 dias preso no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu, depois de ser flagrado revendendo entradas da Copa do Mundo por até 35 mil reais cada – de acordo com as investigações iniciais, a máfia teria lucrado em torno de 200 milhões de reais durante o torneio. O habeas corpus concedido pelo ministro do Supremo Tribunal Federal, Marco Aurélio Mello, ao principal articulador do grupo marcou a última novidade da “Operação Jules Rimet”. O ponto de partida das investigações foi o livro Um Jogo Cada Vez Mais Sujo, do jornalista britânico Andrew Jennings. O desbaratamento da quadrilha foi saudada por jornalistas do mundo inteiro. Mas, apagados os holofotes, o caso caminha a passos largos para o esquecimento. Para Marcos Kac, promotor do caso, está havendo uma “chicana jurídica”, termo usado por juristas para expressar um atraso de má-fé em processos. “O juiz necessita impor um limite, os acusados estão usando de vários subterfúgios para postergar o julgamento”, afirma Kac.

Fofana, ao lado de seu advogado, foi solto; deve aguardar julgamento no Brasil

Lamine Fofana, ao lado de seu advogado, foi solto por habeas corpus de ministro do STF (Foto: Tiago Ramos/Agência O Dia)

Cerca de 22 mil horas de escutas telefônicas ouvidas por membros da Polícia Civil do Rio de Janeiro revelaram a amizade de Fofana com celebridades do mundo futebolístico, como o técnico Dunga e a filha do ex-auxiliar Carlos Alberto Parreira. De acordo o procurador Marcos Kac, não há mais revelações a serem feitas. Todas as ligações foram ouvidas e o prazo legal para grampear os telefones chegou ao fim. “Estamos concluindo a parte da inteligência e da análise de dados”, explica Kac. “Juntamos todos os laudos técnicos dos computadores e das escutas, agora os policiais que participaram do caso deverão depor”. Fábio Barucke, delegado que conduziu a investigação, muito solícito na época das prisões, não atendeu mais as ligações  da reportagem doBlog do Curioso. Em uma de suas últimas declarações sobre o caso, ele disse que desconfiava da colaboração da Corte Arbitral do Esporte, instância máxima desportiva europeia, localizado na Suíça. “Até a Corte, que tem o dever de ser íntegra, está envolvida no esquema”, declarou Barucke. “Alguém de lá enviava ingressos ao cambista Fofana”. A investigação não fisgou nenhum peixe graúdo, mas não ficou só no bagrinho Fofana. Ray Whelan, executivo da Match Services, empresa responsável pela comercialização das entradas, também trocou uma luxuosa suíte no Copacabana Palace por uma cela em Bangu. Também está solto, mas o procurador Kac não sabe informar o seu endereço no momento. Fofana está instalado num flat na Barra da Tijuca. Os dois estão com seus passaportes apreendidos e não podem deixar o país.