Corinthians atrasado, São Paulo na 'vala comum' e "até quando" dinheiro do presidente no Palmeiras

Legado Econômico

03/10/2014
Jogadores do São Paulo e Flamengo entram em campo com faixa do protesto do Bom Senso.

Em mais uma edição da sua análise anual das finanças no futebol, o Itaú detonou a gestão dos clubes brasileiros. Em um estudo de mais de 160 páginas divulgado nesta semana, o banco privado avaliou como foi o ano de 2013 para os 20 times da Série A do Brasileiro (mais Vasco, Portuguesa e Ponte Preta) e fez duras críticas aos dirigentes que comandam as equipes.

Para começar, "Dinheiro na mão é vendaval" é o título do texto, que já foi mais otimista nos anos passados (2011: "Como o mundo das finanças enxerga o futebol"; 2012: Clubes apresentam evolução econômico-financeira; 2013: "Não falta dinheiro"). Para cada um dos 23 clubes, o Itaú deu um título para resumir o balanço, utilizando as demonstrações contábeis de cada um e considerando também acontecimentos mais recentes.

Dentre as avaliações, vale destacar logo de cara o que a instituição financeira escreveu a respeito do Palmeiras. Com mais de R$ 90 milhões colocados por Paulo Nobre no alviverde, o estudo admite que a política deu certo para tirar o time da segunda divisão, mas questiona ao final: "até quando o presidente colocará dinheiro no clube?".

O banco faz também uma ironia fina com o Corinthians, com quem também é duro na análise. Ao resumir a gestão pela frase "Encantador de Serpentes", o estudo explica que a direção alvinegra se vendeu como moderna quando não foi nada disso.

"Mais que isso, por algum momento fez acreditar que se tratava de uma gestão moderna, quando na realidade realizava as práticas mais comuns e antigas da gestão do Futebol", afirma, além de falar sobre o não pagamento de impostos e deixar uma pergunta: "Mas como ficam os clubes que pagam em dia?".

Logo na introdução, a Área de Crédito do Itaú BBA, setor responsável pela pesquisa, diz que os cartolas do futebol brasileiro não deram atenção para as categorias de base, que só pensaram na torcida durante a administração e ainda fala que gastaram muito mal - um dos exemplos citados foi o do São Paulo, que tem na folha de pagamento seis laterais esquerdos (Álvaro Pereira, Clemente Rodriguez, Carleto, Cortez, Reinaldo e Henrique Miranda). O clube do Morumbi é ainda classificado como na "vala comum".

"Completando este cenário, vários clubes continuaram a utilizar velhas práticas de gestão financeira do Futebol, como atraso de contribuições e impostos relacionados aos salários dos atletas, o que de certa forma se constitui numa vantagem financeira em relação aos clubes que pagam em dia", afirma o estudo.

"Os clubes precisam reforçar investimentos nas Categorias de Base, captando melhor, orientando melhor, retendo mais e colocando-os para atuar, pois esta é uma alternativa substancialmente mais barata e de melhor solução financeira para o clube. Parafraseando Keynes, a manter este padrão de gestão, no longo prazo os clubes estarão todos mortos".

Veja abaixo, os títulos para o resumo do ano de cada equipe e as perspectivas projetadas pelo banco para este ano, que está quase no final.


Leia na íntegra: Banco detona gestão de clubes: Corinthians atrasado, São Paulo na 'vala comum' e "até quando" dinheiro do presidente no Palmeiras