Eu e o Futebol

Por Pablo Antonio

10/03/2014
Pablo faz parte da Comissão Técnica de Futebol Feminino da UFRN

O futebol sempre fez parte de minha vida. Da infância até os dias atuais torço, pratico e aprendo sobre a vida com esse esporte.


Grande parte dos meus tios são flamenguistas. Destaco o mais fanático deles: Tio Chico. Ele registrou o meu primo com o nome Flazico Tiago. De uma só vez homenageou o rubro-negro carioca, o maior jogador da história do clube e, na época, o nascimento do filho do Galinho de Quintino. Todo esse ambiente foi determinante na escolha do meu time de coração e na minha preferência esportiva.


Quando tinha 11 anos, escrevi, com auxílio de minha irmã, uma carta para um concurso de uma rádio chamado "O Sonho de Minha Vida". Na carta relatei a desejo de ser jogador de futebol e ao mesmo tempo pedia uma oportunidade de bolsa para alguma escolinha. Por ironia do destino, minha carta foi escolhida e parte do meu sonho foi realizado: fui jogar na Escolinha do Flamengo. Depois de três anos este estabelecimento fechou. Devido a isto, passei parte de minha adolescência sem praticar de forma competitiva o futebol.


No ensino fundamental passei a jogar futsal, esporte pelo qual me apaixonei. Contudo não obtive muitos êxitos nessa modalidade. Apesar da vontade dos companheiros de equipe, faltava uma peça chave para o nosso elenco: um treinador de futsal. Hoje admiro o esforço de nosso professor, mas, colocar um treinador de vôlei para treinar futebol de salão não deu muito certo. No ensino médio tínhamos uma situação parecida: um Preparador Físico de futebol era o encarregado de nos treinar, entretanto, apesar de parecido, esses dois esportes são bem diferentes na prática. Tínhamos potencias de valor naquela equipe, mas o treinamento não era adequado.


Nessa mesma época retomei a pratica no futebol de campo na extinta escolinha do clube COSERN. Por causa de minha altura sempre me colocavam na parte defensiva (zagueiro ou volante). Claro que essas posições, princpalmente aqui no Brasil, não são preferência de nenhum garoto, e muito menos a minha na época. Mas com o tempo passei a compreender minha importância no sistema defensivo da equipe. Já no futsal assumia uma posição mais ofensiva. Hoje ainda jogo de pivô.


Participo de competições amadoras perto de casa e no interior; em ambientes tranquilos e outros nem tanto; jogo em quadras cobertas, e outras com buracos; em campos que nem grama possuem, dando até para jogar descalço; em competições rápidas (como torneios) e outras longas; mas o que todas essas aventuras possuem em comum é a paixão de todos os "peladeiros" por esse esporte.


Aprendi durante essas experiências noções de companheirismo e lealdade, estes, mais que válidos, principalmente em ambientes perigosos. Absorvi ao longo do tempo conhecimentos relacionados aos momentos críticos dos jogos. Percebi como a motivação e a vibração, principalmente em decisivos, fazem a diferença. Aprendi a jogar de acordo com a competição, em alguns torneios, por exemplo, dependendo da ocasião (expulsão de um companheiro) a melhor alternativa é aplicar sua força para jogar a bola no "mato" e levar o jogo para os pênaltis. Apesar de tudo isso, o futebol jogado em campo, às vezes, torna-se apenas um detalhe. O percurso até o local do jogo, mostra-se muito mais interessante. Momentos de interação social, como o bate papo entre os jogadores; jogo político, quem vai ser o titular (quando não possuímos um técnco); e econômico, juntar o dinheiro para pagar a taxa de inscrição e a gasolina da carona, fazem parte do comportamento e divertimento de todos durante a viajem. Já na volta os comentários sobre o(s) jogo(s) ditam as conversas.


Atualmente surgiu uma nova oportunidade de voltar ao futebol de modo mais sério. Integrar a Comissão Técnica de Futebol Feminino da UFRN fez reacender a chama daquele moleque de 11 anos que almejava fazer parte do mundo do futebol. Apesar de estar acostumado a ficar dentro das quatro linhas, a vontade de vencer não será menor por estar participando indiretamente do processo. Encaro essa oportunidade como uma segunda chance para obter êxito neste esporte que sempre fez parte de minha vida e ao longo do tempo se tornou uma história de amor.

 

Pablo Antonio Lopes da Costa