Minha trajetória no futebol

Por Bia Melo

10/03/2014
O futebol me escolheu

Já me perguntaram muito o porquê de ter escolhido futebol, e essa foi uma das perguntas mais fáceis e mais difíceis que já respondi. Tem coisas que a gente não consegue explicar, elas acontecem, ou escolhem a gente para que aconteçam. E com o futebol foi assim: ele me escolheu. Digo sempre que a paixão por esse esporte nasceu dentro de mim, e as dificuldades que enfrentei para conseguir estar dentro de quadra ou campo (desde convencer meus pais a me deixarem jogar e até mesmo pela própria dificuldade da valorização, preconceito e divulgação da modalidade) só me fizerem ter mais vontade de estar mais perto dessa redonda.

 

Sempre jogava me aventurando no meio dos meninos; sempre fazia bolas de papel, meia e durex para jogar com meu irmão (e os santos da prateleira de casa sofreram muito com essas peripécias); meu antigo colégio do ensino fundamental, por ser religioso não apoiava a modalidade de futebol feminino e o jeito foi seguir no basquete por um bom tempo. E quando encontrava uma brecha, aproveitava o fim do treino de basquete e o início do treino de futebol society pra jogar com os meninos da escolinha.

 

Sonhava em ter apenas um tênis de futsal e um uniforme para chamar de meu... Mas logo depois de assistir todos os jogos do Mundial de Futebol Feminino em 2007, e toda a luta por trás da seleção brasileira e os golaços de Marta e CIA, meus sonhos alcançaram proporções imagináveis. De um simples uniforme, começava a sonhar um dia chegar à seleção brasileira e fazer parte daquela equipe.

 

Até então nunca havia jogado em time nenhum, até que em 2009 entrei no IFRN e no meu primeiro dia de aula conheci Mayara Pitchula e descobri que lá no IF tinha uma equipe de futebol e futsal feminino: as Barrotinhas. "O tempo é um encantamento. A gente nunca tem o quanto imagina." Nas Barrotinhas eu vi minha relação com o futebol se concretizar de vez, eu finalmente tive o meu uniforme, finalmente comemorei as vitórias como atleta de futsal/futebol, vibrei com gols e chorei com as derrotas, que foram bastante construtivas. Fiz das Barrotinhas a minha família. Foi nas Barrotinhas que diversas portas se abriram pra mim, entre elas, o privilégio que tive de jogar na equipe feminina do América no ano de 2012 ao lado de jogadoras profissionais como Formiga e Nilda, que já tiveram passagem pela seleção brasileira, e ainda receber proposta para jogar em clubes profissionais. Nem nos meus melhores sonhos imaginaria tudo isso, nem mesmo as diversas lesões que já tive jogando, não me arrependo de nenhum esforço dado para correr atrás da bola.

 

Futebol se tornou a minha vida, o meu refúgio dos dias conturbados, meu método de aprendizagem para a vida, minha brincadeira com objetivos sérios. Eu realmente não sei o que amo mais do que esse esporte, minha vida e meus dias giram em torno de uma quadra ou um campo e uma bola nos pés. Eu cresci jogando futebol, eu amadureci jogando futebol, eu realizei os meus sonhos correndo atrás de uma bola. Esse amor é algo sem explicação que não dá para sair contando todas as histórias porque não há tempo, e não dá pra expressar tudo isso em palavras. O melhor jeito? Pegar uma bola e sair em sua companhia com um sorriso no rosto.

 

Ana Beatriz Medeiros Melo