Futebol: pelo direito de estar junto

Por Thiago Felipe

23/02/2014
É preciso mudar nossa concepção do que é futebol

Diferenças, talvez essa seja a palavra que mais caracteriza o Brasil. Todavia, essa diferença não é respeitada no futebol, logo nesse esporte que é famoso por lutar pela igualdade. Imaginemos então, que em uma família existam torcedores de clubes rivais (o que não é nada anormal em nosso país), e esses familiares queiram assistir a uma partida de futebol juntos. Pasmem! nosso miscigenado Brasil não nos permite isso de forma organizada e pacífica.

 

Enfrento esse problema desde a minha infância, já que, eu e minha mãe torcemos pelo maior rival do time pelo qual meu irmão e meu pai torcem. Será que seria pedir demais, em um mundo civilizado, em pleno século XXI, que uma família possa ir ao estádio junta? Muitos dirão que é impossível, utopia. Entretanto, terei que recorrer aos europeus como exemplo de civilidade e respeito nos estádios de futebol, onde famílias podem frequentá-lo com prazer, e não com medo.

 

Zona mista, essa é a solução, onde pessoas civilizadas vão assistir ao embate entre os clubes e não entre as torcidas. Poderia ser criado um cadastro para dificultar o acesso a essas áreas como forma de controle, para que, apenas os que desejam ver o jogo e respeitem as diferenças tenham acesso.

 

Chega de assistir ao jogo na torcida adversária, sem poder comemorar um gol, sem poder comentar aquele lance que nos abrilhantou os olhos, chega de assistir a uma partida de futebol preocupado com conflitos que por ventura possam existir. Cada vez mais ouvimos falar em excelência, em padrões, temos então que parar de segregar seres humanos como se fossem animais e não pudessem estar juntos. Já temos a tão sonhada estrutura de estádios em nosso país, precisamos agora mudar nossa concepção do que é futebol.

 

Desta feita, só nos resta clamar pelo bom senso, não o movimento criado por jogadores de futebol, mas aquele que todo cidadão tem ou deveria ter, para que as famílias voltem aos estádios de futebol, para que crianças, que serão os futuros consumidores e financiadores do futebol sejam presença marcante em nossos estádios, para que o nosso amado futebol seja motivo de prazer e não de preocupação. Pelo direito de estar junto, pelo não à segregação e pela paz nos estádios temos que tomar providências,que sejam elas drásticas, assim como fizeram os ingleses, ou talvez quando acordarmos, pode ser tarde demais.

 

Thiago Felipe Maia Lisboa