Paulo André e Raí questionam Marin sobre melhorias no futebol brasileiro

Gerais

13/02/2014
Paulo André (esquerda) e Rai (direita) questionaram Marin (Foto: Leandro Canonico)

O presidente da CBF, José Maria Marin, participou nesta sexta-feira de mais uma edição do Fórum Nacional do Esporte, organizado pelo LIDE (Grupo de Líderes Empresariais). Em debate, o dirigente foi alvo das perguntas de Paulo André, do Corinthians, e de Raí, ídolo do São Paulo.


Depois das apresentações e discursos formais, o evento partiu para uma sessão de perguntas, comandada pelo zagueiro do Timão e o ex-jogador tricolor. Conhecido por ser defensor de mudanças na estrutura do futebol no Brasil, Paulo André questionou Marin sobre o papel da CBF:


- Apesar da vitória na Copa das Confederações, é notório que há uma distância gigantesca entre o futebol europeu e o brasileiro. Nós não vemos ações da CBF para melhorar e capacitar os profissionais. Há estruturas viciadas do esporte no país, vale a pena subsidiar a Série D e não capacitar os clubes para que sejam autossuficientes? Quais os projetos da CBF para fomentar o futebol brasileiro?


Marin respondeu:


- Nós procuramos fazer as coisas dentro das possibilidades, mas temos de pensar na grandeza territorial do Brasil. Temos a Série A, a Série B, que hoje é tão importante quanto a Série A e não há mais desespero para ir à Série B, a Série C, a D. O Palmeiras está aí. Subsidiamos também 40 equipes, com transporte, comida, bola...

O zagueiro, porém, queria saber quais eram os planos da CBF em relação à capacitação dos profissionais de centros mais afastados, e não dos subsídios que a entidade dá para os clubes disputarem as competições.


Marin preferiu exaltar as façanhas do futebol brasileiro dentro de campo. O presidente das CBF falou da conquista da Copa das Confederações, o respeito por parte dos europeus, das negociações milionárias de Hulk, Bernard e outros jogadores. Paulo André, então, replicou.


- Eu quero saber quais são os planos da CBF na área estrutural do futebol, como ela pensa esse lado e não apenas no subsídio que dá aos clubes. Como ela fará com que isso se torne autossustentável daqui alguns anos?


Marin, porém, defendeu o trabalho atual da Confederação Brasileira de Futebol.


- Ao subsidiar essas equipes nós temos 40 técnicos, 40 preparadores físicos, muitos jogadores, damos oportunidade ao empresário que faz o ônibus que transporta os jogadores, àqueles que fabricam as bolas - disse José Maria Marin.


Raí, então, entrou no debate. O ídolo do São Paulo perguntou sobre o alto preço dos estádios brasileiros, falou em corrupção e questionou qual a importância do Comitê Organizador Local (COL) no combate a isso:


- Há patrocinadores preocupados com a questão de superfaturamento de obras. Como vocês, mesmo não tendo toda responsabilidade sobre o assunto, lidam com isso?


Marin respondeu dizendo que o COL não participa da parte financeira dos estádios e que é apenas um órgão de acompanhamento e informação subsidiado pela Fifa.


Na sequência, Raí perguntou se há a possibilidade da criação de uma liga de clubes independente, como acontece em alguns países da Europa. Isso, segundo o ex-jogador, deixaria a CBF livre para trabalhar em outras áreas do futebol, como na estrutura.


- Ninguém é contra a criação de uma liga, mas já houve uma tentativa e não deu certo. Há mais interessados em ser presidente da Liga do que clubes querendo participar - cutucou o presidente da CBF.


Paulo André, então, pediu a palavra mais uma vez e questionou sobre um dos temais centrais do Fórum Nacional do Esporte, a pressão para que o Congresso Nacional aprove a MP 615, que visa a uma melhor gestão do esporte no Brasil, em especial das entidades que recebem subsídio do governo. O projeto de lei visa também limitar a reeleição nessas entidades.


Embora a CBF não se enquadre nisso, por ser privada, o zagueiro do Corinthians questionou qual a opinião de Marin em relação às seguidas reeleições de vários dirigentes brasileiros de federações e confederações.


- Aquilo que é bom, reconhecidamente bom, deve continuar, sinceramente. Entre uma tentativa e ficar com aquele que já provou que é bom, apoiado pela maioria dos seus filiados, fico com quem já provou. Reiterando que acabando meu mandato na CBF, não vou continuar, nem sair candidato. Vou participar ativamente apoiando aquele que for da situação - finalizou Marin.


O cargo de Marin à frente da CBF vai até o fim de 2014 e não há limite para reeleição. O candidato da situação, muito provavelmente, será Marco Polo Del Nero, presidente da Federação Paulista de Futebol e vice da CBF. A oposição articula com Andrés Sanchez, ex-presidente do Corinthians. Mas ele, por enquanto, diz não ser candidato.

 

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