'Respire fundo, isso que é violência', diz guia de turismo sobre esgoto na Rocinha

Gerais

13/06/2014
Carlos Antonio Souza guia visitantes por dentro da Rocinha 'de verdade'

Ele nasceu e cresceu na Rocinha e fala cinco línguas sem nunca ter saído do Brasil. Carlos Antônio de Souza trabalha à noite em um hotel e durante o dia faz visitas guiadas pela Rocinha, no Rio de Janeiro.

 

Mas o passeio que ele propõe aos visitantes, a maioria estrangeiros, é diferente. Em vez de percorrer as principais ruas da comunidade onde, segundo estimativas não oficiais moram 180 mil pessoas, Souza guia os turistas por vielas e um labirinto de ruas onde pedestres disputam espaço com um emaranhado de fios pendurados.

 

Ele diz que gosta de expor os problemas de infraestrutura da comunidade e a falta de investimentos públicos.

 

Ao passar por um esgoto ao céu aberto, ele diz em um inglês fluente:

 

"Não tape o nariz, respire fundo, porque vocês só vão passar cinco minutos aqui".

 

"Essas pessoas vão morar aqui a vida toda".

 

Em depoimento à BBC, Souza disse que "isso é violência, as pessoas morando no meio do esgoto".

 

"Olha para este lugar, estamos entre dois bairros ricos da cidade. De um lado, apartamentos são vendidos por US$ 4 milhões. De outro, são alugados por US$ 1,5 mil mensais. Isto é violência".

 

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